Wednesday, December 2, 2009

Etiópia









Como um país tão rico em história e tradições culturais continua sendo um lugar tão pouco visitado?

Mal compreendida e afastada das rotas turísticas convencionais a Etiópia continua sendo sinônimo de guerras e lugar onde crianças subnutridas morrem de fome. As fortes imagens da crise humanitária causada pela seca publicadas nos anos de 2000 e 2002 chocaram profundamente o mundo.

Infelizmente essa é a imagem lembrada pelas pessoas assim como as imagens do Carnaval e Futebol são associadas ao Brasil. Essa má interpretação e preconceito embora sejam negativos tem seus benefícios transformando a viagem ao país em uma grande descoberta e uma agradável surpresa.

Dentre suas atrações históricas destacam-se as fantásticas igrejas esculpidas na pedra em Lalibela datadas do século 12 e 13, os grandiosos castelos de Gonder do século 17, os gigantescos obeliscos de granito em Aksum com mais de 2.000 anos de idade e os antigos monastérios ortodoxos nas ilhas do Lago Tana.

É também no Lago Tana no interior da Etiópia que nasce o Nilo Azul que junto com o Nilo Branco oriundo do Lago Victoria formam o Rio Nilo. As águas do Nilo Azul, cujas cataratas criam um belo cartão postal, correspondem por quase 90% do Nilo que se estende até Egito.

Também conhecida como a Petra da África, Lalibela é o lugar mais fantástico e sagrado da Etiópia. Foi concebida pelo Rei Lalibela para ser uma nova Jerusalém em solo africano acessível a todo o povo etíope longe dos muçulmanos. Cerca de 400 igrejas datadas dos séculos 12 e 13 foram esculpidas nas pedras na região e encontram-se bem conservadas. As mais famosas são a Bet Giyorgis ou Igreja de São Jorge em forma de cruz e a Bet Maryam ou Igreja de Maria construída em homenagem a virgem que é adorada no país.

A Etiópia é o único país da África que não foi colonizado e por isso manteve firme e intacta toda a sua identidade cultural.

O país conserva sua própria e distintiva língua, sua própria bebida e culinária, sua própria igreja, seus santos e até seu próprio calendário.

Com maioria da população cristã-ortodoxa, uma outra parte muçulmana e uma minoria de judeus a Etiópia é um lugar bíblico lar de uma das mais interessantes civilizações do mundo.

Os Falashas são os judeus etíopes descendentes diretos de Menelik, filho do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Segundo a lenda a Rainha de Sabá, cuja dinastia durou cerca de 3.000 anos, foi fazer uma visita de estado ao Rei Salomão em Jerusalém e voltou à Etiópia com o futuro Rei Menelik nos braços. Hoje restam pouquíssimos Falashas na Etiópia e algumas poucas sinagogas perto de Gonder. A maioria deles imigrou para Israel.

Também lugar de famosas descobertas arqueológicas a Etiópia é conhecida como o Berço da Humanidade. Lá foram encontrados os restos fossilizados do mais antigo hominídeo do planeta apelidado de Lucy com mais de 3.2 milhões de anos.

Lucy é o carinhoso nome dado ao esqueleto da nossa mais antiga descendente metade humana metade macaco. Foi uma homenagem à música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds que tocava no campo arqueológico no momento da descoberta. Lucy encontra-se exposta no Museu Nacional de Adis Abeba, capital do país.

Em contraste com seu estereotipo de Terra da Fome a Etiópia destaca-se também por suas exuberantes paisagens, sua vida selvagem e seus diferentes grupos étnicos.

Com suas ricas tradições, sua bela história e seus laços estreitos com o Cristianismo e Judaísmo a Etiópia é um país fascinante que aguarda ansiosamente para ser desbravada.

É um lugar muito mais rico e interessante do que podemos imaginar. É com toda certeza o segredo mais bem guardado da África. Vale a pena visitá-la antes que esse segredo seja descoberto!

Informações e Curiosidades:

O conhecido termo Rastafari originou-se a partir do nome do ultimo monarca da Etiópia, Haile Selassie, que fora corado imperador em 1930 e reinou até 1974. Ras significa príncipe e Tafari era seu nome antes de ser coroado. Identificando-se com o monarca etíope e com a própria Etiópia como um estado africano independente livre do colonialismo criou-se na Jamaica uma nova religião acreditando-se que o novo imperador etíope era a encarnação de Deus. Atualmente os Rastas aguardam pacientemente a restauração da monarquia na Etiópia.

Amárico é a língua oficial do país e pertence à mesma família das línguas semíticas como o hebraico, o árabe e o assírio. A moeda local é o Birr. A melhor época para visitar o país é de Outubro a Janeiro após a estação das chuvas.

Minha sugestão é fazer o circuito histórico começando em Adis em seguida visitando os monastérios ortodoxos no Lago Tana próximos a Bahar Dar e as Cataratas do Rio Nilo Azul. Depois uma visita às cidades de Gonder para ver os castelos medievais, Lalibela para ver as igrejas antigas e Aksum para ver obeliscos do Império Aksumita.

Devido à geografia montanhosa do país recomendo fazer alguns dos trechos de avião. As acomodações fora de Adis são muito simples e baratas com exceção de alguns hotéis do governo.

Acreditem ou não o país possue uma das melhores companhias aéreas da África com uma frota moderna e uma excelente malha de vôos domésticos e internacionais com um ótimo serviço de bordo. A rede hoteleira apesar de ainda pouco desenvolvida orgulha-se de ter o mais luxuoso hotel do continente africano, o Sheraton de Adis Abeba, um verdadeiro palácio.

A comida local é picante e exótica. Não deixem de experimentar a Injera, uma panqueca com especiarias e o Tej, vinho local feito de mel. A cerimônia do café não deve ser perdida onde os grãos são torrados e moídos na hora. O café etíope é considerado um dos mais saborosos e caros mundos, não na Etiópia.

A Etiópia conhecida também como Abissínia fica na região do Chifre da África, no Leste, perto da Somália, Sudão e Eritréia. Para se chegar lá pode-se voar via Frankfurt, Roma ou Dubai. Vistos são emitidos no desembarque mediante pagamento de taxa e atestado de vacina de febre amarela.

Por Raul Frare


Wednesday, November 18, 2009

Uzbequistão












O vôo de Istambul a Tashkent, capital do Uzbequistão, dura pouco menos de cinco horas. A imigração é lenta e extremamente burocrática, um verdadeiro caos. Não existem filas e todos se amontoam desesperadamente para conseguir entrar no país.

O carimbo no passaporte vem com um ar de vitória, mas a confusão não pára por aí, pois ainda tem a alfândega e os malditos taxistas que disputam os turistas a tapas para inconvenientemente tentar extorquir alguns dólares.

Tashkent é uma típica metrópole soviética, meio decadente, porém grandiosa, limpa e organizada. É a quarta maior cidade da ex-URSS, atrás apenas de Moscou, St. Petersburgo e Kiev. Suas estações de metrô são majestosas e foram projetadas para serem abrigos antinucleares. Por motivos de segurança tirar fotos dentro delas é extremamente proibido, uma pena, levando em conta a riqueza dos detalhes e suas ornamentações.

A maneira mais segura e eficiente de viajar pelo país é de táxi. Além de ser muito barato você ainda evita de voar em um dos aviões da antiga frota soviética. Fui a Samarkand descendo o país por um corredor entre o Cazaquistão e Tajikistão.

Quando Alexandre o Grande chegou a Samarkand em 329 BC disse: “Tudo que eu escutei sobre Samarkand é verdade exceto que é ainda mais bonita do que eu imaginava”. Realmente Alexandre tinha razão. Samarkand é a cidade mais gloriosa do Uzbequistão com uma longa e rica história. Durante séculos foi o centro econômico e cultural da Ásia Central. Os minaretes, mosaicos e domos turquesas de seus grandes templos como o “Registan”, suas mesquitas e bazares coloridos dão um tom mágico e especial ao local.

Hospedei-me na Bahodir B&B, uma “guesthouse” simples, mas com um aconchego familiar que poucos hotéis mais caros poderiam oferecer. Conheci ali vários viajantes que estavam viajando da Europa a Ásia por terra. Dentre eles dois londrinos que saíram de carro de Londres e rumavam a Ulanbator na Mongólia, patrocinados e levantando fundos para salvar as crianças da Ásia Central. O site deles é muito interessante: www.drivetomongolia.org

De Samarkand fui para Bukhara. São três horas de viagem cruzando as plantações de algodão e planices desérticas. O Uzbequistão é um dos maiores produtores mundiais de algodão graças ao desvio das águas que alimentam o Mar de Aral que por sua vez fora um dos maiores lagos do mundo e hoje, praticamente seco, gera grandes desastres ambientais.

Bukhara é a cidade mais sagrada da Ásia Central. As ruelas da cidade antiga e suas construções de argila formam grandes labirintos nos dando a impressão de que o lugar não deve ter mudado muito nos últimos séculos. Bukhara é também um grande espetáculo ao vivo com seus vendedores de tapetes, bazares cobertos e “medressas” (escolas que ensinam o Islã) cheias de vida, musicas, aromas e fumaça.

Apesar da população predominantemente muçulmana Bukhara ainda possui um quarteirão judaico datando do século 13. Suas duas sinagogas possuem mais de 200 anos e ainda prestam o “Shabat” em Tajik, o idioma local.

Em mais 6 horas de viagem cheguei a Khiva, uma cidade remota nos confins do Uzbequistão que antes fora centro das caravanas de escravos e crueldade bárbaras. Khiva é protegida por uma grande muralha e diferentemente de outras cidades da Ásia Central está inteiramente preservada. Durante as noites pode-se observar a silhueta da Lua nos minaretes e colunas da cidade, um espetáculo de beleza indescritível.

O Hotel Khiva é a opção mais bacana de hospedagem por termos a oportunidade de nos hospedar numa verdadeira medressa. A antiga construção foi inteira adaptada para se tornar um hotel e os antigos quartos dos alunos que ali viviam para estudar o Islã foram transformados em pequenos quartos de hotel.

Sempre fui fascinado pela Ásia Central, isolada do resto do mundo com sua burocracia pós-soviética e seus desertos, estepes, montanhas e planices infinitas. Rico e milenar, o Uzbequistão é a grande atração dessa região. Suas cidades prosperaram muito durante a Rota da Seda e foram concebidas com uma arquitetura única e fabulosa.

Devido a sua importância foi também o epicentro de guerras e disputas sendo invadido por grandes conquistadores como Jenghiz Khan, Amir Timur, Ciro da Pérsia e Alexandre. Ao visitar o Uzbequistão temos a certeza de que em outros tempos esse não era o fim do mundo, mas sim o centro dele.

Informações Gerais

Nome:
Republica do Uzbequistão

Capital:
Tashkent

Área:
447.400 Km²

População:
25.9 milhões

Idiomas:
Uzbeque (oficial), russo e tajik (em Bukhara e Samarkand).

Religião:
90% muçulmanos sunitas, 10% outras.

Moeda:
Sum.

Vistos de entrada:
Necessário para todos mediante apresentação de carta convite. Não há representação consular no Brasil.

Como chegar lá:
Não há vôos diretos desde o Brasil. A melhor maneira é fazendo escalas em Londres, Paris, ou Istambul.

Frases:
olá = salom aleikum
obrigado = rakhmat

Preços:
Quarto individual em guesthouse com refeição: US$ 10
Refeição simples em restaurante local = US$ 3
Garrafa de cerveja = US$ 2.50
Litro de Água Mineral = US$ 0.40
Litro de Gasolina = US$ 0.25

Por Raul Frare em 21/10/2005



Tuesday, October 27, 2009

Havaianas










Sunday, October 11, 2009

Coréia do Norte (DPRK)


























Acordei no meio do vôo que me levava de NY a Beijing durante uma forte turbulência. Estávamos sobrevoando o Pólo Norte e era possível ver da janela a imensidão branca das calotas polares. O sol da meia noite, presença constante naquele horizonte, iluminava aquela planice gelada e refletia seus raios nas asas metálicas do avião. Faltavam ainda sete horas de vôo e eu não conseguia parar de pensar na excitante idéia de estar a poucos passos de realizar um grande sonho, conhecer a Coréia do Norte.

No trajeto do aeroporto ao meu hotel que ficava perto da Praça da Paz Celestial eu quase não consegui reconhecer a Beijing em que estive há 17 anos atrás. Estava tudo diferente e mudado com um forte toque capitalista. Nas ruas, a quantidade de carros, a poluição, os novos hotéis e centros comerciais, as pessoas e tudo mais. Toda essa mudança era de se esperar num gigante comunista que cresceu a uma taxa de 10% nos últimos anos.

Beijing estava num ritmo frenético de obras. Prédios e quarteirões velhos sendo demolidos dando espaço a construções novas e modernas. Uma verdadeira corrida contra o tempo, afinal as Olimpíadas estavam a poucos meses dali.

O mais estranho era que ate aquele momento, três dias antes da minha suposta visita ao pais mais fechado do mundo, eu ainda não tinha a confirmação oficial de que realmente estaria autorizado a entrar no pais. As autoridades norte-coreanas e o consulado em Beijing embora recebam as informações dos pretendentes a turistas com meses de antecedência geralmente expedem as autorizações de entrada há poucos dias da suposta viagem. Há muitos casos de pessoas que vão ate a China e voltam pra casa frustrados sem ter conseguido entrar na Coréia do Norte.

Obtive a resposta positiva um dia antes da partida e em seguida fui apresentado aos demais viajantes que formariam meu grupo. Muitos europeus, alguns australianos e, como já era de se esperar, nenhum americano. Estes últimos, considerados imperialistas, assassinos e inimigos são proibidos de entrar no país. Durante o “briefing” fomos todos informados do que estávamos autorizados a fazer e a não fazer durante a nossa visita. Aprendemos um pouco do protocolo e das delicadas situações em que poderíamos nos encontrar.

O velho avião da companhia norte coreana Air Koryo de fabricação russa destoava-se dos demais no pátio do aeroporto de Beijing transformando-se num bizarro cartão de visitas. Havia muito mais passageiros que assentos disponíveis porem inesperadamente todos foram acomodados, alguns dividindo o mesmo assento e logo em seguida o vôo finalmente decolou em direção a Pyongyang.

Durante o vôo tivemos o primeiro contato com alguns norte coreanos. Dentre os que estavam no avião, todos integrantes de uma pequena minoria, geralmente pessoas do alto escalão ligadas diretamente ao governo e que estão autorizadas a sair do pais em missões oficiais. Todos, esguios, usavam ternos escuros e afixado no peito um broche com a imagem de seu pai e Grande Líder, Kim Il Sung.

A Republica Popular Democrática da Coréia, tradução de DPRK, como gosta de ser chamada a Coréia do Norte, encontra-se ate os dias de hoje oficialmente em guerra com sua irmã, a Coréia do Sul. Nunca fora assinado um acordo de paz entre elas. A península coreana foi dividida em duas partes no paralelo 38. De um lado ficou o sul capitalista protegido pelos Estados Unidos e de outro, numa isolação jamais vista, o norte radicalmente comunista e protegido pela Rússia e China. A linha de fronteira entra as duas Coréias é zona mais armada do planeta e conta com a presença de milhares de soldados em ambos os lados prontos para entrar em guerra a qualquer momento

Aterrisamos em Pyongyang numa linda tarde de Outono. Enquanto o avião taxiava em frente ao velho terminal de passageiros uma grande imagem de Kim Il Sung nos dava as boas vindas: “Welcome to DPRK”. Fiquei triste em descobrir que não teríamos nossos passaportes carimbados, pois viajávamos num “Group Visa”, essa talvez a única opção para quem não viaja a negócios e gostaria de conhecer o pais como turista.

Fomos obrigados a entregar nossos telefones celulares para a nossa guia norte coreana antes de passar pela alfândega. Só voltaríamos a vê-los nas ultimas horas de viagem minutos antes de cruzar a fronteira para Dandong na China. Câmeras fotográficas são permitidas. Filmadoras entram com restrições. Porem notebooks nem pensar, deveriam ser deixados em Beijing.

Do aeroporto fomos levados diretamente a grande estatua de bronze de Kim Il Sung no alto da cidade onde prestamos reverencia ao Grande Líder do pais. No caminho passamos pelo gigantesco Arco do Triunfo onde paramos para tirar algumas fotos. A Coréia do Norte e uma zona foto sensível e devemos sempre perguntar antes de fotografar. Fotos tiradas da janela do nosso ônibus ou sem autorização eram proibidas e poderiam nos levar a expulsão do país. Éramos constantemente vigiados por nossos guias e mediante qualquer suspeita de violação nos alertavam e nos chamavam a atenção.

As avenidas de Pyongyang são largas e vazias com pouquíssimos veículos. Apenas alguns oficiais do governo e diplomatas estrangeiros possuem carros. Mesmo assim desnecessariamente belas guardas de transito controlam os principais cruzamentos da cidade com uma coreografia cômica e robótica. A cidade conta com um respeitável sistema de transporte publico formado por uma rede de metros e ônibus urbanos.

As estações de metro são belas e suntuosas e tentam se equiparar às de Moscou. Os únicos outdoors que podemos encontrar são aqueles com imagens de Kim Il Sung e seu filho e Kim Jong Il e alguns outros com propaganda comunista do governo.

Pyongyang conta com dois hotéis para receber estrangeiros. Fomos encaminhados para o Yanggakdo International Hotel que fica estrategicamente isolado na ilha de Yanggak em meio ao Rio Taedong que corta a cidade. De fora parece um prédio bem atrativo, imponente e moderno mas por dentro temos uma realidade bem diferente e decadente. No último andar há um restaurante giratório, meio cafona mas com uma bela vista da cidade.

Como a falta de energia é freqüente na cidade ficar preso nos elevadores do hotel é algo muito comum e corriqueiro e segundo nossos guias, não deveríamos entrar em pânico. Li em um guia de viagem que há indícios de escutas escondidas nos quartos para monitorar os estrangeiros. Devemos ter muito cuidado com o que falamos ou escrevemos. E-mails são reescritos por uma secretaria norte coreana do Business Center e encaminhados via servidor e conta norte coreana. Ademais éramos proibidos de deixar o hotel sozinho e sem autorização. Quem ousaria se arriscar?

Um dinamarquês que viajava em nosso grupo, sem saber, ousou e se deu mal. Em seu quarto no hotel amassou uma cópia do periódico Pyongyang Times cuja capa tinha uma foto do Grande Líder, Kim Il Sung, e a jogou no lixo, não se dando conta da grande ofensa que estava causando. A camareira levou a copia amassada à gerencia e em seguida fomos avisados que nosso grupo deveria deixar o país imediatamente. Após uma longa e burocratica negociação ficou combinado que o dinamarquês faria um pedido formal de desculpas ao povo norte coreano e em seguida deixaria sozinho o país. O resto do grupo não teria que pagar por sua má conduta.

Um dos pontos altos da visita ao país é a viagem a cidade de Kaesong, fronteira com a Coréia do Sul, para visitar a DMZ, zona desmilitarizada. Viajamos de ônibus pela deserta e moderna Rodovia da Reunificação que liga Pyongyang a Seul. A cada cinco quilômetros há barricadas de concreto que podem bloquear rapidamente a estrada num eventual ataque sul coreano. Durante a visita ficamos frente à frente com os soldados sul coreanos e com o prédio americano responsável pela segurança do lado da Coréia do Sul que vigia minuciosamente os visitantes do lado norte. Há uma casa azul bem ao meio da linha de fronteira com duas portas, uma para o lado norte e outra para o sul. È possível entrar dentro dessa casa, que é usada para encontros e negociações formais entre as duas Coréias e literalmente cruzar a fronteira para o lado sul, mas é claro que a porta de saída esta trancada e fortemente guardada. Em qualquer tentativa de cruzar de um lado para outro o infrator seria fuzilado e geraria um estresse de grandes proporções entre os dois paises.

Após a visita fomos para a cidade de Kaesong onde nos hospedamos num hotel local com camas de tatame e pudemos nos deliciar com a culinária típica da região. Meu prato preferido foi o Kimchi, ou seja, folhas de alface e repolho fermentados com muita pimenta. È preciso muita cerveja norte coreana para acompanhar essa iguaria. Provei também o famoso Korean Barbecue onde tivemos na mesa um grill para assar vegetais e carnes. Provei também a mais fina e cara iguaria coreana, a famosa sopa de cachorro.

Dia seguinte voltamos a Pyongyang para mais um dia de visitas onde conhecemos o fantástico Museu da Guerra. Lá fomos incansavelmente lembrados pelos guias do museu que foram os imperialistas americanos quem começaram a Guerra da Coréia. Fomos expostos aos indícios e provas e as carcaças de mortíferas bombas que dizimaram o povo coreano durante a guerra. Visitamos também a Torre Juche que com sua tocha vermelha simboliza a doutrina do país, conhecemos outros imponentes monumentos e o navio espião americano que fora apreendido na costa da peninsula há vinte anos atrás.

Mas o ápice da visita à Coréia do Norte é sem duvida assistir a uma apresentação dos “Mass Games” ou Arirang. Um mega espetáculo de luzes, cores e som onde mais de 18.000 ginastas realizam uma coreografia ritmada dentro de um estádio construído especialmente para o evento e que ainda inclui um gigantesco placar humano formado por um mosaico de 3.000 crianças que reproduzem com muita fidelidade as imagens dos grandes lideres do país.

É sem duvida um espetáculo impressionante e inesquecível. Os ginastas treinam mais de 12 horas por dia durante anos para poderem se apresentar nesse espetáculo que apesar de belo mais parece uma parada militar. A simetria, fidelidade, hierarquia, respeito e submissão estão em total harmonia e de acordo com os ideais Juche que regem e doutrinam o país. Ademais é uma honra imensuravel para um norte coreano poder se apresentar perante o Grande General Kim Jong Il, que por sua vez não perde um espetáculo.

Geralmente os grupos que entram na Coréia do Norte por via aérea saem do país por via férrea. É uma experiência única poder viajar por terra e conhecer melhor o interior desse país tão fechado. Partimos de Pyongyang em direção a Dandong na fronteira com a China. Pudemos aproveitar as belas paisagens porem não fomos autorizados a sair do vagão especial para turistas em nenhum momento. Antes de cruzar o Rio Yalu que divide a península coreana da China tivemos os passaportes e bagagens checadas pelos soldados. Nossas câmeras fotográficas também foram checadas inclusive chip por chip e imagem por imagem. Caso tivéssemos alguma imagem proibida ou tirada sem autorização poderíamos ter a câmera apreendida.

Minutos antes de cruzarmos a ponte em direção a fronteira chinesa tivemos de volta nossos celulares. De longe fomos ofuscados pela clareza das luzes fortes e dos néons de arranha céus chineses do outro lado do rio. Tivemos a impressão de que estávamos saindo do passado e voltando para o presente. Para trás daquela cortina de ferro ficava aquele lugar extremamente misterioso e proibido e a nossa frente a liberdade, uma liberdade chinesa meio contraditória, mas que comparada à norte-coreana é uma senhora liberdade.

A Coréia do Norte, para quem não a conhece, é sinônimo de lugar esquisito e bizarro e que pertence ao Eixo do Mal. Porem por ser tão isolada do resto do mundo e por sofrer tão pouca interferência do mundo capitalista e externo é um dos únicos lugares do mundo intactos em sua essência, daí a beleza e a rica experiência de uma visita a esse lugar.

È um país que possui o comunismo puro em sua alma e é doutrinado pelo Jucheismo, isto é, os norte coreanos são os responsáveis pela sua própria sobrevivência e visam não aceitar a ajuda e auxilio de outras nações.

Visitar a Coréia do Norte é algo polemico onde muitas vezes não vemos a verdade e a realidade dos fatos e sim o que lhes é conveniente, porem com certeza é uma experiência única e rica que vale muito a pena.


Nome: Coréia do Norte – Republica Popular Democrática da Coréia (DPRK)
Capita: Pyongyang
Idioma: Coreano
Governo: Republica Socialista regida sob a Doutrina Juche.
Presidente Eterno: o Grande Líder, Kim Il Sung
Presidente General: Kim Jong Il
População: 23.8 milhões de habitantes
Moeda: Won

Por Raul Frare

Sunday, September 27, 2009

Moscow




















Wednesday, September 16, 2009

India

























Mongolia